Ivan Di Simoni

Sou um Unicórnio!

O unicórnio é um animal mítico de caráter nobre, puro e misterioso.

Um cavalo jovem, geralmente branco, com um único chifre em espiral que alguns dizem lhe conferir poderes mágicos. Seus olhos são de um azul intenso e sua inteligência é a mesma ou até superior a dos humanos. Tem sido símbolo de santidade, pureza e força em várias culturas. Consta, até mesmo, no livro de Jó. Sua história também está ligada às virgens. Até mesmo Nossa Senhora já conheceu um unicórnio. Em alguns contos, os unicórnios se revelam apenas para as donzelas virgens e por isso é símbolo de pureza amando tudo o que é puro.


Sou um Unicórnio Invisível!

Mas que será que isso tem a ver comigo? Não sou a representação da pureza ou força. Não tenho chifre, e também não me foi conferido nenhum poder mágico. Muito menos, sou dado às virgens. Mas assim como os unicórnios, vivo em um mundo em que pessoas me tratam como um ser mítico, que só pode existir em um reino de fantasia. Vivo vegano em um mundo extremamente não vegano.

Sou um unicórnio que ama tudo o que é puro. Os animais são os maiores exemplos de pureza. Sentem, sofrem e, assim como os humanos, querem comer, procriar, viver em paz e ser feliz. Não provocam sofrimento gratuito a outro ser. Leões sem fome são capazes até de acarinhar filhotes de Hiena.

Quando conto pela primeira vez a alguém que sou vegano, como que saído das páginas de um livro dos irmãos Grimm brota na frente desta pessoa um imenso unicórnio alado com crina esvoaçante e um ponto de luz ,na fina ponta do meu corno espiralado. Oi? Não brota não, mas é como se fosse. Afinal a frase que costuma vir a seguir é: “Mas é impossível ser vegano”. Demoro a acreditar que a pessoa esteja falando sério. Afinal parado na sua frente está um vegano.

Sou um Unicórnio Zumbi!

“Você vai ficar doente e morrer”. Quem desconhece o assunto realmente acredita que veganos ficam deficientes de nutrientes e que a consequência disso é a morte fulminante.  Independente dos ótimos resultados mostrados nos exames nutricionais que faço. Talvez ao invés de um unicórnio eu seja um zumbi. Já que eu morri a 2 anos e meio. Conheço zumbis que morreram a mais de 15 anos inclusive. Corram, o apocalipse zumbi chegou. Antes fosse.

Como outros ativistas veganos que lutam em favor dos animais, muitas vezes sou o esquisito que leva marmita para o churrasco com os amigos. Me respeitam, mas acham estranho. Até resolverem provar o que eu levei. Em geral levo 4 vezes a mais do que eu comeria. Pois a comida de unicórnio que não existe é tão boa que os humanos resolvem atacar também.

A comida inclusive perdeu um pouco da importância em minha vida. Não por que eu passei a não gostar de comer, mas por que eu percebi que tem coisa mais importante, como a vida daqueles que poderiam estar no meu prato. Não mais.

Sou um Unicórnio Verde!

Em sua maioria, as histórias de unicórnio também o coloca como defensor e protetor da floresta encantada. Se atacado, toda a floresta morre junto. Matar ou destruir a divina encarnação da pureza, perfeição e maravilha como um unicórnio traz uma dívida karmica para mil encarnações.

Nosso planeta há muito tempo vem pedindo ajuda. Questões importantes como a água, poluição e aquecimento global poderiam ser resolvidos se as pessoas acreditassem em nós, unicórnios veganos. Ouvissem nossos argumentos e topassem receber o pozinho mágico da sabedoria em suas cabeças.

Sou um Unicórnio, acreditem em mim!

O veganismo chegou e está cada vez mais forte. Já somos uma enorme legião de unicórnios que estão se unindo. Somos a esperança de um futuro menos cruel e apocalíptico. Busquem o conhecimento. Ser vegano liberta a nós, aos animais e ao planeta.

Desde a minha transformação, percebo grandes melhoras em todos os aspectos da minha vida. Na saúde, no bem-estar, no impacto provocado no planeta, na alimentação. Também aprendi truques na cozinha que hoje eu procuro ensinar a quem precisa. Afinal, a alimentação vegana se revelou a mais gostosa e criativa que eu já experimentei. Mas o melhor de tudo é saber que eu não contribuo para o sofrimento. É olhar para um animal e sentir um negócio dentro do peito que você tem dificuldade de entender no início, mas aos poucos vai ficando mais claro e você entende o que é. Compaixão.

 

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