Blog VeganistasDra. Karla Santone

Por que Vegana?

São inúmeras as razões que levam as pessoas a adotarem a alimentação vegana. Sendo que os  três pilares do veganismo são: ética, meio ambiente e saúde. É inequívoco que a principal motivação para uma pessoa abandonar o hábito de consumir carnes, laticínios e ovos seja a ética e a compaixão pelos animais. Até porque hoje estamos cada vez mais próximos do horror que acontece aos bois, vacas, porcos, galinhas, frangos, peixes, entre outros animais, graças aos documentários realizados através de gravações escondidas em abatedouros, granjas e criadouros.  A crueldade da indústria pecuária, antes protegida e mantida em sigilo, hoje em dia já não é mais segredo. Consequentemente, todos os dias milhões de pessoas no mundo todo decidem pelo veganismo.

Meio ambiente

Outra questão vem atraindo a preocupação de muitas pessoas: a sustentabilidade. Produzir 1Kg de carne bovina consome 17.000 litros de água e produz 335 kg de CO2 (FAO/ONU), o mesmo que dirigir um carro por 1600km. Do mesmo modo, o desmatamento da Amazônia, e de outros biomas brasileiros como o cerrado, é bastante preocupante. Cerca de 70% da área desmatada da Floresta Amazônica é usada para pasto sendo a restante, em grande parte, transformada em plantação de ração para alimentar o gado. Para se ter uma ideia, para produzir 300g de carne bovina, são necessários 6 kg de grãos, como soja, promovendo um grande desperdício de terra e de alimentos.

Além disso, a poluição ambiental causada pela pecuária é uma triste realidade. Fato é que as carcaças e os dejetos orgânicos de bilhões de animais em granjas, contaminam os lençóis freáticos com resíduos de antibióticos usados na engorda dos animais. Sem mencionar que o uso desenfreado de antibióticos, torna a resistência antibiótica um problema cada vez mais próximo.

Saúde: carnívoro, onívoro ou… humano?

É inegável que o ser humano possa se comportar como um animal onívoro, afinal, come carne desde sempre. Mas será que biologicamente somos realmente feitos para comer de tudo? Ou será que esse comportamento onívoro pode representar um fator de risco para diversas doenças ocasionadas pela má alimentação?

Podemos conduzir nossa vida como onívoros, comendo carnes, vegetais e frutas. Porém, fisiologicamente, o ser humano se assemelha muito mais a animais herbívoros e se afasta indubitavelmente dos animais carnívoros. Humanos não possuem garras afiadas para capturar a sua presa, nem velocidade para tal, muito menos  tem um suco gástrico apto a digerir o couro, os pêlos, os ossos e as fezes que vêm junto com a carne animal. Não temos dentes afiados para rasgar carne crua e nossa mandíbula, diga-se de passagem, se movimenta para os lados, exatamente como fazem os animais herbívoros. Os animais herbívoros tem uma abertura pequena da cavidade oral em relação ao tamanho da cabeça enquanto os carnívoros tem uma boca muito mais larga.

Quando estamos com calor, nós humanos, transpiramos como os herbívoros fazem, já os carnívoros ofegam com a lingua para fora (já se imaginou fazendo isso?). Os carnívoros bebem água lambendo, ou seja, levando a água para dentro da boca com a língua. Herbívoros e humanos bebem líquidos por sorver.

O sistema digestivo humano se assemelha fortemente ao dos herbívoros, começando pela saliva que contém enzimas digestivas, ao contrário dos carnívoros que na maioria engolem a comida sem mastigar, a nossa digestão começa no processo de mastigação. A saliva dos animais carnívoros não contém nenhuma enzima para digestão. No humano, o volume estomacal, como nos herbívoros, é cerca de 25% do nosso trato gastrintestinal, ao contrário dos carnívoros, que tem um volume estomacal muito grande com o dobro da capacidade, cerca de 60 a 70% do total do volume do trato gastrointestinal, o que permite a eles caçar talvez uma vez por semana, engolir grandes quantidades de carne, e digerir mais tarde. Humanos, como os herbívoros, têm um intestino delgado muito longo, cerca de 10 vezes o comprimento do corpo; já os intestinos dos animais carnívoros são curtos, apenas 3 a 5 vezes o comprimento do corpo. O intestino longo em humanos e nos herbívoros é necessário para as fibras das plantas, as quais requerem alças maiores e mais elaboradas, como no intestino humano. Mais além, carnívoros produzem a própria vitamina C, enquanto que herbívoros e humanos a obtém obrigatoriamente da dieta.

E por que não onívoros? Porque onívoros, como por exemplo os ursos guaxinins, retém a maioria das características dos carnívoros, podendo digerir e caçar a sua presa, e o fazem efetivamente. Embora o ser humano se comporte como onívoro, nosso sistema digestivo na verdade se assemelha aquele dos chimpanzés e outros grandes macacos, que comem basicamente plantas. O percentual de alimento animal que os chimpanzés comem é muito baixo, se algum, entre 2 a 3% e principalmente cupins e outros insetos. Diferentemente dos carnívoros e onívoros que caçam suas presas e salivam ao ver sangue, o ser humano sente repulsa ao ver um animal morto e ensanguentado, muitas pessoas chegam a ter náuseas e desmaiar ao ver sangue. E por fim, animais que não foram projetados para comer carne, como herbívoros, incluindo humanos, desenvolvem aterosclerose. Aterosclerose é ubíqua na dieta ocidental com produtos animais desde muito cedo na vida das pessoas.

Hoje, fortes evidências demonstram que muitas doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo alguns tipos de câncer poderiam ter seu risco reduzido através de uma alimentação vegetariana saudável e integral. Assim, a dieta vegetariana estrita vêm ganhando adeptos e um merecido espaço nas orientações de saúde de renomadas instituições no mundo todo, sendo reconhecida como saudável, viável e benéfica para os animais, para o planeta e para as pessoas.

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