Monique Zuma

Ovos: Por que não consumi-los e formas de substituição em receitas

Por que os veganos não comem ovos? Esse é um dos questionamentos mais frequentes sobre a dieta vegana. Poucos sabem, mas a indústria do ovo é uma das mais cruéis que há. As galinhas poedeiras são presas em espaços minúsculos onde não podem sequer abrir as asas, quem dirá ciscar ou ter o mínimo de liberdade. Para evitar que as galinhas se mutilem diante dessa situação de extremo estresse, seus bicos são cortados assim que nascem. Seus ovos fecundados são separados: Fêmeas seguem o destino das mães e pintinhos machos, que não têm serventia para a indústria por não colocarem ovos nem serem a raça ideal para virar carne de frango, são triturados ou asfixiados recém-nascidos. Cerca de 260 milhões de pintinhos são mortos por ano apenas nos EUA!

Ao longo do tempo as galinhas foram submetidas a um processo de modificação genética (o que inclui cruzamentos forçados prejudiciais à sua saúde) para serem capazes de produzir muito mais ovos do que o normal. Galinhas não domesticadas, criadas livres ou selvagens (leia-se sem cercas, galpões ou gaiolas limitando seu espaço) colocam uma média de 15 a 30 ovos por ano, enquanto as exploradas pela indústria colocam cerca de 300 ovos por ano! Essa produção em massa gera uma série de danos à saúde da galinha.

Na formação da casca de cada ovo, que é composto em sua maior parte por carbonato de cálcio, é usado cerca de 10% do cálcio presente nos ossos da galinha, que não tem tempo para se recuperar nem a alternativa de comer seu ovo não fecundado para repor os nutrientes perdidos. A insuficiência de cálcio faz com que as cascas dos ovos se tornem cada vez mais finas, e muitas vezes se quebrem antes de sair, apodrecendo dentro de seus corpos e causando uma série de graves e dolorosas doenças, além da desnutrição e deficiência de cálcio que gera problemas ósseos muito comuns em galinhas poedeiras.

Quando seu corpo finalmente cansa e a sua produção diminui,  elas são descartadas para virar carne ou simplesmente para minimizar os gastos com ração e espaço, o que ocorre quando têm entre 18 meses a 2 anos de vida.

Você deve estar pensando: “Mas e os ovos de galinhas soltas?”. Bem, soltas não seria a palavra ideal, pois remete a animais livres, ciscando em um ambiente não delimitado, o que não ocorre nesse caso. Os chamados “ovos de galinhas soltas” são comumente postos por galinha criadas em galpões, que pertencem a um sistema que visa lucro e quer produzir sempre o máximo possível. Portanto, apesar de não terem seus bicos cortados, nem ficarem presas em gaiolas de bateria minúsculas,  elas são amontoadas em um espaço muito menor do que o ideal, o que tira a capacidade de se organizarem hierarquicamente e se reconhecerem (algo que acontece quando livres) e também são comumente descartadas quando não produzem conforme o desejado.

E quanto ao ovo da galinha que você ou seu vizinho cria no quintal, sem qualquer pretensão de matar quando a produção diminuir? Bem, se você estiver nessa situação EXTREMAMENTE excepcional, ainda assim não considero justo comer os ovos, pois essas galinhas continuam tendo seu espaço limitado e seus ovos retirados sem consentimento, sem falar que isso abre “brechas” para justificar e incentivar o consumo de ovos que em sua esmagadora maioria provêm de muito sofrimento e exploração, além de reforçar a ideia de que os animais existem para nos servir.

Além de tudo que foi dito, é fato que não temos necessidade nutricional de consumir ovos. Não precisamos nos alimentar de animais ou de suas secreções (ovos nada mais são que a ovulação da galinha) para ter uma alimentação completa e equilibrada. A dieta vegetariana estrita é comprovadamente saudável, sendo inclusive capaz de reduzir as chances de doenças cardiovasculares, principalmente devido à ausência de colesterol, que é encontrado em abundância nos ovos.

Se mesmo com essas informações você ainda estiver achando difícil abdicar do consumo de ovos, veja algumas formas de substituí-los nas receitas do dia a dia.

Omelete: Você pode fazer o famoso “grãomelete”, com farinha de grão de bico, e se usar sal negro vai ficar extremamente parecido em termos de sabor! É só misturar 1/2 xic de farinha de grão de bico com 3/4 xic de água, 1 colher de sobremesa de farinha de linhaça ou amido de milho, e temperar como preferir. Despeje em uma frigideira untada com um fio de azeite e deixe dourar os dois lados em fogo baixo e com tampa.

Ovo mexido: O tofu mexido cumpre muito bem o papel, e novamente se você utilizar sal negro vai ficar muito parecido! É só pegar um pedaço de tofu, amassar com um garfo e dourar na frigideira com um fio de azeite e os temperos que preferir (fica uma delícia com cúrcuma e orégano).

Bolos, tortas, panquecas, pães, etc. Existem muitas receitas veganas para todos os gostos, mas se você quiser veganizar aquela receita de família pode tentar com os seguintes substitutos (para 1 ovo):

1 colher de sopa de semente de chia com 1/4 de xícara de água (espere 5 minutos antes de usar);
1 colher de sopa de farinha de linhaça dourada com 3 colheres de sopa de água (espere 5 min antes de usar);
1/2 banana amassada;
1/4 xic de purê de maçã (maçã cozida e amassada);
1 colher de sopa de purê de inhame (inhame cozido e amassado).

Espero ter conseguido mostrar que o consumo de ovos além de prejudicial aos animais, é desnecessário para nossa saúde e pode ser facilmente substituído nas receitas do dia a dia. Repense seus hábitos e considere o veganismo!

instagram.com/veganismoporamor

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