Larissa Maluf

Os Animais têm Capacidade de Sentir?

Hoje vou falar sobre o leite e a maternidade. Este não é um texto que busca falar sobre os aspectos negativos de incluir leites de origem animal na sua alimentação. Sim, eles existem e são defendidos por milhares de médicos no Brasil e no mundo afora, porém quero focar aqui na questão sentimental, aquela que toda mãe sente e deve saber.

Vamos começar explicando o significado da palavra senciência. Talvez ela seja nova para muitos, mas é importante saber: senciência é a capacidade de sentir sensações de forma consciente. Ou seja, sentir medo, dor, frio, alegria, prazer, solidão…

Somos seres sencientes. Mas e os animais? Tem a capacidade de sentir? De acordo com nossa percepção, claramente têm. De acordo com dezenas de estudos, também.

Em alguns países como a França e a Nova Zelândia a legislação inclusive foi alterada para classificá-los desta forma, não mais definindo os mesmos como objetos.

Mas o que isso tem a ver com a maternidade e o leite de origem animal? Imagine você, engravidar (mas vamos abrir um parêntese para dizer que você engravidou forçadamente), gerar em seu ventre seu filho por nove meses e, ao dar a luz não poder amamentar sua cria. Seu leite vale muito dinheiro e é por isso que você engravidou. Em alguns tipos de manejo, seu filhote será imediatamente retirado de perto de você, em outros permanecerá por perto, porém ainda assim será privado do leite materno. Por que esse filhote será mantido junto à você? Por compaixão? Errado. Pois mantê-lo por perto ajuda com que você produza mais leite (e dê mais lucro).

Essa é a realidade dos animais na indústria do leite. Com um agravante: isso não acontece apenas uma vez, afinal você precisa produzir leite com frequência. Tem como ficar mais dramático? Sim, seu filhote, caso seja do sexo feminino, estará fadado a ter o mesmo destino que o seu: produzir leite por toda vida (e mais filhotes). Se nascer do sexo masculino pode ficar confinado em um espaço pouco maior que seu corpo, privado de luz e movimentos, para desenvolver uma carne macia conhecida como vitela.

Ao final de tudo isso, já não bastasse todo esse sofrimento, quando você não puder mais produzir um leite de qualidade, será descartada (abatida) e pode ser aproveitada pela indústria para outras finalidades. Você poderia viver por volta de vinte e cinco anos, mas sua vida acabará em cinco.

Perceba, há mais crueldade em um copo do leite do que num pedaço de bife. Mas isso pode acabar, quando nos colocarmos no lugar do outro e deixarmos de consumir carne, leite e seus derivados.

Larissa Maluf
instagram.com/diário_vegano

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