Porque não Consumimos Laticínios?


Eu nasci num sítio e meus pais produziam leite para nos alimentar. Naquela época, não comercializávamos nem o leite e nenhum derivado e nossa família tinha profundo respeito pelas nossas vaquinhas.

Quando comecei a ouvir falar sobre veganismo, eu não entendia porque as pessoas adeptas a esta filosofia, não consumiam laticínios e então fui pesquisar a respeito.

Não podemos comparar a produção de leite atual, àquela produção no sítio da minha infância.

 

 

Nas fazendas leiteiras, as vacas são forçadas a ficarem prenhas todos os anos para produzirem leite. Não importa se elas estão se sentindo bem ou não, certo dia, um humano chegará e violentará seu corpo.Ele  introduzirá um aplicador de sêmen de 45 cm na vagina e o braço inteiro dentro do seu ânus.

dois a cinco meses depois deste episódio, acontece um teste para verificar se a vaca está prenha. Neste teste chamado, apalpação retal, um humano violará o seu corpo novamente, introduzindo todo o braço dentro seu ânus. Assim, mais de 200.000.000 (duzentos milhões) de filhotes são gerados a cada ano no mundo.

 

 

Esses filhotes passam de um a três dias com as suas mães e então, são separados, causando imenso estresse e sofrimento para ambos.

As fêmeas são criadas para dar continuidade ao ciclo de exploração da indústria leiteira e os bezerros são acorrentados em pequenas celas onde sequer conseguem se mover. São mantidos assim até o momento do abate para produção de carne de vitela, ainda em seus primeiros meses de vida.

 

Lembro-me perfeitamente, quando eu era criança e os bezerrinhos nasciam. Era lindo o cuidado e o carinho que nossas vaquinhas tinham pelos seus filhotes. Era perceptível o amor entre mãe e filho e lembro-me como meus pais respeitavam aquela relação.

 

Minha mãe me contou que quando eu era criança, ela ordenhava de 7 a 10 litros de uma vaca em um dia, mas hoje em dia, graças às drogas e hormônios injetados nos animais, elas chegam a produzir 60 litros ou mais diariamente.

Isso é absolutamente antinatural, acaba deformando seus corpos e lhes causando muito sofrimento. Além disso, o manejo violento no ubre e o estresse pela separação do filhote, levam à várias doenças, que acabam causando processos inflamatórios nas glândulas mamárias (mastite).

Essas inflamações são responsáveis pela contaminação do leite com pus (células somáticas = microrganismos + toxinas) e sangue.

 

Um critério utilizado mundialmente por indústrias, produtores e entidades governamentais (CCS – Contagem de células somáticas), para o monitoramento da qualidade do leite, foi definida na União Europeia um valor de 400.000 cel/ml de pus, mas no Brasil o limite permitido é mais do que o dobro, ou seja 1.000.000 de cel/ml de pus.

 

Vacas têm uma expectativa de vida de cerca de vinte anos e elas podem facilmente produzir leite por cerca de oito desses vinte anos, mas o constante estado de estresse, prenhez e doenças imposto pela indústria de leite, reduzem sua expectativa de vida para apenas cinco anos, idade em que terminam por serem abatidas como qualquer outro gado de corte.

Agora, voltando à minha infância vejo que o romantismo das minhas lembranças acaba exatamente quando eu lembro, que todas as vacas que nos alimentavam com o leite que produziam para seus filhos, apesar de serem cuidadas pela minha família, depois de vários anos nos servindo, acabaram todas sendo abatidas e nós nos alimentamos de seus corpos.

 

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(Malga Di Paula)

 

Em outro momento abordarei o IMPACTO AMBIENTAL na produção de  LEITE

 

Fonte: EMBRAPA
Meio Ambiente Rio
União Europeia