Dr. Carlos Teotônio

A Alimentação Vegetariana e as Doenças Cardiovasculares

A prevenção e a cura do infarto vem dos vegetais sim!

Para nos mantermos vivos precisamos que nosso coração bombeie o sangue para todos nossos órgãos, levando oxigênio e nutrientes para nossas células. Essa rede de vasos é conhecida como sistema cardiovascular, no qual, o coração é a bomba propulsora, o motor.

Ocorre que, infelizmente, devido a hábitos equivocados de estilo de vida, principalmente relacionados a sedentarismo e má-alimentação, as doenças do sistema cardiovascular são as principais causas de morte no Brasil e no mundo.

As duas doenças mais comuns são o infarto e o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Vários fatores em conjunto contribuem para que esses vasos sejam danificados, gerando problemas sérios de saúde pública no nosso país, mas o principal mecanismo se chama aterosclerose. A grosso modo, aterosclerose á a doenças dos vasos sanguíneos que gera a formação de uma placa de gordura na parede interna dos vasos, o que ocasiona a obstrução do fluxo sanguíneo naquela região.

Como o sangue leva nutrientes e oxigênio, essenciais para a vida de nossos órgãos, essa obstrução é letal para as células. A morte celular ocorre caso esse fluxo de oxigênio seja bloqueado por certo tempo, gerando o infarto do músculo cardíaco (miocárdio, irrigado pelas artérias coronárias) e o AVC isquêmico (existe outro tipo de AVC, o hemorrágico, que também tem relação com doenças arteriais, em especial a hipertensão, mais conhecida como pressão alta).

Pensem que na maior parte de nossas aulas de cardiologia na Faculdade de Medicina, fomos treinados a usar medicamentos para combater essas doenças e tirar os pacientes das emergências rapidamente. O problema é que os medicamentos atuam em etapas finais desse processo e não têm poder para reverter esse quadro. Não adianta passar vários medicamentos potentes, caríssimos e manter uma alimentação com elevado teor de gorduras saturadas, de colesterol, carnitina, colina e vários outros componentes oxidantes e cujo excesso faz mal – que é o caso da alimentação brasileira/americana tradicional onívora.

O Dr. Esselstyn e o Dr. Dean Ornish nos Estados Unidos publicaram e continuam publicando diversos estudos mostrando a cura e a prevenção das doenças cardiovasculares, em especial da doença coronariana através de mudanças de estilo de vida. Que mudanças seriam essas? A prática de exercícios físicos e uma alimentação vegetariana estrita integral, com baixo teor de gorduras saturadas, baixo teor de álcool e de cafeína, baixo teor de alimentos refinados e zero tabagismo.

Num dos estudos do Dr. Esselstyn, por exemplo, 28 pacientes com problemas de obstrução das artérias coronárias foram submetidos às mudanças citadas acima e 20 pacientes foram submetidos ao tratamento médico convencional com medicamentos apenas, servindo então como grupo controle. Dos 28 pacientes que concordaram com o tratamento experimental somente com a mudança do estilo de vida – exercícios e dieta saudável vegetariana – 82% obtiveram um aumento ao final de um ano do diâmetro das artérias que estavam obstruídas, o que significou que a doença aterosclerótica estava em regressão. Já todos os 20 pacientes que foram submetidos ao tratamento médico rotineiro tiveram uma redução do diâmetro arterial, ou seja, aumento da obstrução de suas coronárias pela placa de gordura após um ano.

O que teria de tão especial nessa alimentação vegetariana?

Basicamente poderíamos explicar essa melhora com quatro efeitos gerados pela alimentação vegetariana:

1. Aumento da produção de óxido nítrico, que é uma substância essencial para a integridade das células dos vasos sanguíneos;
2. Redução na produção de TMAO (óxido de trimetilamina), um composto tóxico, que gera oxidação da molécula do colesterol, induzindo que ele se deposite e aumente a placa de gordura nas artérias. O TMAO é produzido por nossa flora intestinal quando comemos alimentos de origem animal.
3. Redução das taxas de colesterol LDL;
4. Aumento na produção de células progenitoras endoteliais, que são células jovens dos vasos produzidas em nossa medula óssea, servindo para substituir os vasos sanguíneos lesionados e envelhecidos.

Por isso, não adianta usar medicamentos caros paliativos e não agir na base do problema, que é a inibição e destruição dessas placas de gordura. Isso se dá pela alimentação saudável. É imprescindível ser acompanhado PELO MENOS uma vez no ano por seu médico e melhor ainda se ele é atualizado com relação aos estudos da alimentação saudável, sem nenhum interesse por trás.

 

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