Dr. Carlos Teotônio

A realidade sobre os efeitos do consumo do leite de vaca no nosso corpo

Um dos principais problemas enfrentados hoje em dia por nós profissionais de saúde é a dependência que as pessoas têm do leite de vaca e de seus derivados. A presença dos laticínios está em toda parte, seja na nossa história de afetos e familiar, seja na nossa vida social. A desconstrução desse paradigma tem sido um grande desafio, mas muito temos avançado nos últimos anos.

A caseomorfina encontrada no leite de vaca gera uma dependência química, deixando as pessoas de fato viciada no consumo dos laticínios.  A indústria ao longo dos anos, infelizmente, inundou a mídia com propagandas sobre supostos benefícios do consumo de laticínios. Além disso, várias empresas de laticínios patrocinam até hoje as sociedades médicas e nutricionistas, incutindo uma suposta ideia de saúde nos seus produtos, sejam de suplementos, lanches ou fórmulas infantis.

Por muitos anos pensamos que o leite de vaca estava ligado à saúde de nosso esqueleto ósseo e isso foi arduamente imposto pela mídia e pelas faculdades em nossas mentes. É justamente o contrário: vários estudos relacionam o consumo do leite com aumento da perda de massa óssea. Além de vários componentes tóxicos como IGF-1, caseína, antibióticos, sim o leite de vaca contém cálcio. Porém não numa relação adequada com outro mineral importante para sua absorção: o magnésio. Desse modo, ocorre perda de cálcio dos ossos e saída de cálcio pelo sistema urinário (podendo gerar pedra nos rins e vias urinárias). Encontramos cálcio em fontes vegetais de forma balanceada e com teor equilibrado de magnésio e excelente biodisponibilidade como na couve, gergelim, brócolis e feijões. Evidentemente a saúde óssea dependerá de vários fatores; inclusive da vitamina D e de atividades físicas!

O leite de vaca foi “fabricado” pela Natureza para alimentar o bezerro e não os humanos. A composição nutricional do leite de vaca é muito diferente do leite humano materno por exemplo. Existem muito mais proteínas e gorduras saturadas, de modo que dar isso a uma criança não pode ser algo saudável (imagina dar a um recém-nascido!). Vários estudos apontam a associação do desenvolvimento de alergias, diabetes, constipação, obesidade, acne, esclerose múltipla e várias outras doenças ao consumo dos laticínios. Existe alto teor de gorduras saturadas, hormônios, incluindo IGF-1 (vide post da Acne) e antibióticos nessas preparações lácteas. O leite de vaca não é necessário para nossa ingestão diária de cálcio. Uma alimentação plant-based integral e balanceada é a melhor forma de nos manter vivos e saudáveis. Dr T. Colin Campbell no seu estudo (leiam “The China Study”) mostrou que a caseína do leite é um potencial fator na promoção do câncer. Além disso a intolerância à lactose é algo que é bastante prevalente nos seres humanos, gerando desconfortos intestinais e alergias. É preciso repensar o que estamos ingerindo, o que estamos dando para nossas crianças. É preciso refletir sobre o poder que a mídia e a indústria têm sobre a vida das pessoas e dos profissionais de saúde.

Os laticínios têm relação direta com o desenvolvimento da acne. A acne é uma manifestação da superestimulação hormonal das unidades pilosebáceas de indivíduos geneticamente suscetíveis. Os hormônios reprodutivos e de crescimento endógenos, hormônios reprodutivos exógenos, insulina e o fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1), originários e estimulados por alimentos lácteos e de alta carga glicêmica, contribuem para essa superestimulação. Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido. De maneira simplificada, o leite causa acne porque:

1. Há uma abundância de um hormônio chamado IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina-1) no leite, o que é realmente bom para os bezerros em fase de crescimento, mas não para os humanos (nosso fígado já o produz). Esse excesso de IGF-1 induz inflamações; inclusive a inflamação da unidade pilosebácea;
2. O leite e os produtos lácteos causam picos de insulina nos seres humanos, induzindo o fígado a produzir ainda mais IGF-1, o que gera o desenvolvimento e aumento da acne;
3. Os produtos lácteos fazem com que sua pele produza excesso de sebo (óleo), levando ao entupimento de mais poros, mais acne e um terreno fértil para bactérias de P. acnes, que se alimentam de seu sebo e produzem subprodutos inflamatórios.

O leite de amêndoas é rico em cálcio

Para muita gente é difícil eliminar completamente o consumo dos laticínios devido à dependência química/afetiva gerada. Sugerimos, portanto, uma redução e, quem sabe, uma posterior eliminação total, tendo em vista que de fato esse é um alimento altamente inflamatório e dispensável para nosso organismo. Converse com seu médico sobre isso. Faça seus exames de rotina, verifique como anda seu metabolismo e seus marcadores inflamatórios. Lembrem-se de que somos o que comemos.

 

Fontes:
Referências: European Academy of Dermatology and Venereology 2016 e Indian Dermatology Online Journal 2011.
Referências: 1 – Chan JM, Stampfer MJ, Giovannucci E, Gann PH, et al. Science 1998; 2 –

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